Para quem conhece a cidade de Pelotas, sabe que apesar de sua
geografia plana, de ruas antigas e paralelas, há caminhos que acabam
escapando do centro histórico, onde ordinariamente são sediados eventos, galerias, teatros e casas de cultura. Mas há rotas que começam a se modificar na velha cidade, graças a movimentação própria e espontânea de nativos e “forasteiros”, que vem construindo espaços que priorizam a produção e difusão cultural.
geografia plana, de ruas antigas e paralelas, há caminhos que acabam
escapando do centro histórico, onde ordinariamente são sediados eventos, galerias, teatros e casas de cultura. Mas há rotas que começam a se modificar na velha cidade, graças a movimentação própria e espontânea de nativos e “forasteiros”, que vem construindo espaços que priorizam a produção e difusão cultural.
Cartografar o mapa cultural de Pelotas se torna um desafio, já que o olhar e o passo precisam estar atentos à ruelas, pontos sem iluminação ou referências. A sensação que tenho é que a cidade acontece onde os caminhos se cruzam, e Pelotas está repleta de encruzilhadas. Negra de essência, assentada no banhado, a “Princesa do Sul” abriga uma diversidade de encontros, que valorizam a amizade e a confiança como bases para a construção coletiva de ações.
Gostaria, sim, de falar de todas essas encruzilhadas das quais já me deparei por diversos bairros dessa cidade de 300 mil habitantes, mas quero convidar para caminharmos bem próximo do espaço que é cotidiano para grande parte da população pelotense, ou seja, o centro. Mas não quero que caminhemos no “extraordinário” centro bem equipado e subsidiado. Sugiro alternar a rota, e olhar para outros espaços que compõem a zona mais periférica ao centro, como por exemplo, o Porto.
1 . Instituto Mário Alves
O Instituto Mário Alves é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), não partidária e sem fins lucrativos. Desenvolve estudos e pesquisas políticas, econômicas e sociais; promovendo, ainda, atividades de cunho cultural. Sua proposta central é ser um espaço que suscite a discussão, a elaboração e a formação política, além de organizar materiais capazes de embasar essas atividades e diversas pesquisas.
Periodicamente, o Instituto organiza cursos, seminários, palestras e outras atividades que proporcionam um espaço de construção da cidadania, capacitação e formação de militantes e dos movimentos sociais. Seu acervo contribui para a pesquisa histórica através da preservação da memória e concentração, em um único espaço, de uma estrutura que abarca uma diversidade de iniciativas e temas, que está permanentemente exposta e disponível à utilização pública.
2. Casa Fora do Eixo Pelotas
O Fora do Eixo é uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho constituída por coletivos de cultura pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo, da divulgação, da formação e intercâmbio entre redes sociais, do respeito à diversidade, à pluralidade e às identidades culturais, do empoderamento dos sujeitos e alcance da autonomia quanto às formas de gestão e participação em processos sócioculturais, do estímulo à autoralidade, à criatividade, à inovação e à renovação, da democratização quanto ao desenvolvimento, uso e compartilhamento de tecnologias livres aplicadas às expressões culturais e da sustentabilidade pautada no uso e desenvolvimento de tecnologias sociais.
A Casa Fora do Eixo Pelotas, assim como outras Casas Fora do Eixo do Brasil, “atua como espaço de intercâmbio de informações, metodologias, práticas colaborativas e construção coletiva, o que transforma em mais um Campi da Universidade Livre Fora do Eixo.” Além disso, “a Casa Fora do Eixo Pelotas compreende em um só lugar moradia, escritório, espaço de vivências, casa de show, estúdio e agencia de mídia livre, além de ser ambiente de trabalho para todas as frentes do circuito Fora do Eixo”
3. Casa Okupa 171
Espaço contracultural anarquista, existente desde 2009, tem como proposta garantir um lugar para divulgar as ideias e a cultura libertária, assim como propiciar a sua vivência. A Okupa compreende espaço de moradia e espaço cultural.
Através das habilidades de cada um dos habitantes, propõem-se atividades destinadas ao público, criando vínculos com a comunidade. Trazendo o público para dentro da casa e, através desse contato, discutir possibilidades alternativas de vida. Possui biblioteca, serigrafia, sala de ensaio e espaço para treinamento de circo.
Economicamente a casa se mantém através do trabalho coletivo realizado na CooperaAtiva culinária 171.
4. ArteCidade Criativa
O Instituto ArtCidade Criativa é um espaço construído de forma coletiva, em sua maioria estudantes universitários.Tem como princípio investir no potencial transformador e inovador da criatividade, e vê as cidades como espaços primordiais para as ações criativas. Além disso, apoia o fortalecimento de redes de cooperação para que a criatividade se configure, cada vez mais, em um estilo de vida que promova a inovação, a sustentabilidade, a inclusão, a autonomia e a diversidade cultural.
Atuam com diversos projetos, tais como Formação Livre (Workshops, palestras, oficinas, rodas de conversa, debates, tutoriais online), Oficinas Lúdicas (Oficinas de Origami, Grafite, Teatro, Malabares, Artesanato, Parkour, Cinema) e Ocupação Urbana (Intervenções Urbanas, Eventos culturais e artísticos, Oficinas Urbanas).
5. Casinha
Surgiu há dois anos como “QG” dos organizadores do Piquenique Cultural. O espaço propõe atividades como oficinas de dança do ventre, noite de jogos de tabuleiros, e “embalinhos” temáticos.
6. Ocupação Coletiva de Arteirxs – OCA
Espaço de cultura gestionado por estudantes universitários, em sua maioria dos cursos de Artes (Teatro, Música, Artes Visuais). O prédio, que pertence à Universidade Federal de Pelotas, foi reinvindicado para realização de atividades e práticas culturais.
Também serve como ponto estratégico para o grupo #OCUPAQUADRADO, que tem realizado ações para difundir a atual situação da zona portuária. Oferece atividades como oficinas (yoga, dança, teatro), exposições e mostras artísticas.
7. Katanga's
Para além de um bar, o Katanga's se propoe a dar visibilidade a história dos negros de Pelotas. Periodicamente acontecem atividades referentes a temática, tais como exposições de arquivos, fotos e vídeos, conversas e oficinas.
No espaço também ocorrem shows e apresentações artísticas. O Bar é gerido pelo popular Hélio, e conta com a colaboração de artistas, como Andrea Mazza e Emerson Ferreira.













