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terça-feira, 1 de julho de 2014

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual

           As relações entre as pessoas estão mudando ao longo dos séculos e isto não  é novidade para ninguém. Filmes clichês que contam histórias cheias de sofrimento, surtos e problemas enchem as salas de cinema para dar um tom mais dramático a essas interações virtuais e pouco presentes. Medianeras, por outro lado, vem trazer um tom mais simples e palpável ao mal do século XXI, contando a história, simultaneamente, de dois personagens que muitas vezes parecem ter uma vida muito parecida com a nossa.
           Filmado em Buenos Aires, capital da Argentina e lançado em 2011, o longa dirigido por Gustavo Taretto conquistou dois prêmios no Festival de Gramado, o de filme estrangeiro do ano e o de melhor diretor. O filme, que possui forte influência do diretor de cinema americano Woody Allen, traz várias alusões e metáforas relacionando a arquitetura da cidade e a relação de seus moradores, muitas vezes solitários e perdidos na multidão e entre os prédios com suas diferentes construções.
          Dois vizinhos que nunca se encontraram devido a fobia social e só se comunicaram atraves de chats na internet. Martin, abandonado pela namorada, webdesigner e criador de sites, depressivo em tratamento e viciado em remédios; Mariana, em luto com o mundo dos relacionamentos depois de ser deixada pelo marido, e arquiteta por formação, mas que nunca exerceu a profissão e se tornou vitrinista, tem fobia de elevadores e prefere seus manequins a qualquer interação humana.
          De dentro de seus micro-apartamentos que os enclausuram do mundo, Mariana e Martin ainda não se conhecem, mas foram feitos um para o outro. São somente separados pelas suas medianeras, as paredes dos seus prédios que não os deixam ver, o lado que não serve para nada além de propagandas, mas que os fizeram ter uma mesma ideia: quebrar a parede, fazer uma janela e deixar o sol entrar, ou poder enxergar um pouco mais além do que tem ao redor.   
         O filme busca retratar de forma leve, como as pessoas se fecharam em um mundo virtual, tornando-se cada vez mais escassa a relação sica, o contato pessoal. Por outro lado revela a solidão passiva e o medo de permanecerem sozinhas, por essas mesmas pessoas que ainda buscam o seu "Wally" no meio da multidão, personagem esse que Mariana brinca de encontrar em seus livros desde criança. Em meio a inúmeros quase encontros entre os protagonistas ao longo da trama, o destino - ou a internet e solidão - insistem em desencontros causados pelo simples fato de não olharem ao redor e não acreditarem que em meio a milhoes de pessoas, encontrarão uma especial.

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