quem passa por aqui permanece na memória

domingo, 6 de julho de 2014

     Realizamos uma entrevista com a Psicóloga Ceires Gonçalves de Oliveira acerca das influências da tecnologia no psiquismo humano, e quais os motivos provenientes do meio digital podem vir a influenciar a saúde mental das pessoas. 
     Dentre todas as discussões, foi possível concluir que existem diversas influências causadas pelo novo modo como vivemos, mas mais abrangente: sobre o modo como nos deixamos viver.
     A escolha do uso responsável e controlado das novas tecnologias serve para nós de guia, para o melhor uso e para que possamos usufruir sempre ao máximo das facilidades trazidas pela modernidade.
     Seguem trechos da entrevista realizada na Quinta (03).


E: Entrevistador
CO: Ceires de Oliveira

E: Hoje em dia é possível relacionar doenças como depressão, síndrome do pânico, stress, ansiedade, entre outras doenças psicológicas, com o uso das tecnologias digitais?

CO: Sim, pode. As pessoa se compadecem muito. Ou uma por uma ordem afetiva, ou por estarem sozinhas, e acabam, realmente, usando a tecnologia como uma fuga. Tanto como o stress, como a depressão, como uma alta ansiedade, pra poder resolver coisas com rapidez; e acabam utilizando esse instrumento como uma base para aquilo que elas tão passando pelo momento. Pode ser qualquer coisa, tanto uma depressão como uma ansiedade, enfim… é indiferente.


E: E as pessoas que utilizam a internet sem um propósito fixo, ou que não conseguem se deter num propósito, você acha que elas podem viciar em se distrair naquele meio?

CO: Até pode. Qual é o problema maior? É a compulsão. O que é a compulsão? É quando não há um freio desse impulso, desse instinto. Então a pessoa ela liga porque, ah, eu sempre ligo, como se fosse tomar um café. Como se fosse um hábito. Porque isso deixa de ser hábito. Hábitos são coisas boas que fazemos.  Na compulsão é o contrário. É esse impulso, onde tem um comportamento repetitivo que já não é bom. Por exemplo, eu ligo o computador todos os dias. Eu faço isso todos os dias e toda hora. Mas só onde é que está ruim? É quando tu deixa tua vida pra estar totalmente ali. 


E: Atualmente, com todos os adventos da tecnologias, com todas as facilidades que a tecnologia traz, as pessoas sabem diferenciar o que é real e o que é virtual? Talvez dentro dos sentimentos, das relações humanas.

CO: Não. Quem tá nessa compulsão, não. Quem não está consegue visualizar o quanto isso atrapalha o ser humano. Vou te dar a ideia do Facebook. O Facebook é uma coisa que eu pontuo bastante. É uma rede social. As pessoas misturam colocando então como pessoal. Pessoal é outra coisa. Eu sempre digo: imagine tu no meio, na rua, no meio de um povo todo e tu falando com elas. Muitas coisas tu não pode falar pra todos porque é de um âmbito muito pessoal. E misturam muito isso. Então o virtual não tá bem colocado pras pessoas.


CO: (A rede informática) tá ainda se encontrando; vamos colocar a informática para nós. Ainda tá se encontrando isso. Aos poucos vai se percebendo. É um mecanismo que vem há pouco tempo até as nossas vidas. Ainda tem muito o que organizar, por quê? Porque o ser humano é complexo, ele sempre vai trazer uma dificuldade a ser pensada e repensada. Então a tecnologia ela também vai ao encontro desse cidadão. Agora a gente tá falando de sociedade, estamos falando de política, estamos falando de várias coisas que são importantes como meio de justiça. Há essas pessoas que necessitam desse retorno.

E: A gente tá tocando muito no assunto do lado negativo. Do lado que as pessoas não controlam, não limitam. Tu acredita que exista o ideal, então? Do lado que esse meio possa ser usufruido?

CO: Eu acredito que sim. Porque assim, eu digo isso porque têm pessoas que já estão pensando nisso, já estão fazendo coisas excelentes. Um dos meios é a comunicação mais responsável nisso tudo porque querem levar a informação correta e certa. A ideia aí é trazer o mundo pra ser pensado e refletido. E esse mundo é muito importante. Aí eu volto praquela coisa bem antiga dos filósofos que diz assim: o que esse homem quer, o que esse homem deseja? O que nós buscamos como humanos? É ser feliz. É o intuito de todo mundo. Então, pra isso, a gente sempre vai ir atrás dessa felicidade, de uma maneira ou de outra. 
Ver o humano como humano, né. E que ele é demasiadamente humano.

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Se gostou da entrevista e/ou gostaria de mais informações, deixe seu comentário abaixo e entre em contato com um dos participantes do blog morrrde, 
Mastigando Entropias.

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