Sinta o celular que está no seu bolso. Ignore a vibração que avisa uma nova mensagem; pare de escutar o toque dos aplicativos que destoam sua atenção diariamente. Pare e pense: quais os momentos do seu dia você desejaria realmente estar com outro alguém ou estar presente em outro lugar? Estamos vivendo o agora ligados a 220V, e o nosso agora tem um companheiro constante chamado smartphone.
Pesquisas indicam que no Brasil, o uso do celular com acesso à internet aumentou 340% no último ano. Ao alcance do toque do dedo indicador, o poder de comunicar-se é livre, instantâneo e manipulador. Temos nas mãos um afastamento dos momentos que vivemos, e hoje é considerado honra termos um momento ''a sós'' e denotarmos um tempo àqueles que nos rodeiam. A informação é constante e as pessoas que não estão conosco mantém-se em contato. Cabe a nós dividirmos-nos entre estar aqui ou estar lá.
Por este vício desenfreado, temos cada vez mais a necessidade de atualizarmos nossa vida digital, às vezes separando-a, até mesmo, do real; e temos essa possibilidade a qualquer momento e local. Redes sociais como Facebook e Instagram determinam nossa imagem pessoal. Tornando-se não somente um auxílio a nossa vida social, mas o motivo de nossas ações, nossa relação interpessoal restrita-se a nutrirmos o que desejaríamos ser, e cada vez menos o que somos. Sentimos-nos forçados a estarmos constantemente vistos pelos olhos daqueles que desejamos que nos observem. Como um grito de atenção, queremos aceitação sem pensar de quem.

Tamanha é a abrangência das redes sociais, que acostumamos-nos a informar diariamente o que fazemos, com quem estamos, os locais que frequentamos. E tal costume não se exclui aos relacionamentos íntimos. Divulgar o relacionamento, fotos e intimidades se tornou um ponto alto, e muitas vezes é pela rede social que as relações começam ou terminam.
Temos em nossas mãos as possibilidades da informação, e aquela que poderia vir a enriquecer nossos ciclos de amizade e nossas rodas de bar, inibem nossa habilidade de interagir com aqueles os quais escolhemos estar, para estar com aqueles que não estão fisicamente presentes. A sensação de ''estar com quem não quer estar com você'' esfria as relações, e a imagem pessoal se torna algo maior que a ação de sermos quem somos.
Somos levados a uma publicidade focada no desprendimento destes conceitos mal-estabelecidos de amizade, tentando semear uma relação interpessoal rica e sentimental. Os locais que frequentamos medem o caminho para um momento de interação, e a inquietude daqueles contra este ''movimento moderno'' exige mudanças e bases mais sólidas sobre ''ser'', ''estar'' e ''sentir''.
Não negando o lado positivo da modernização da comunicação, mas indiciando uma mudança no nosso comportamento perante essa acelerada novidade que diariamente invade mais as rotinas mundiais, pergunte-se os limites que permeiam os nossos relacionamentos, e determine aquilo que realmente vale a pena regar nos nossos conceitos de Humano.
Referências:
<http://www.gazetadopovo.com.br/tecnologia/conteudo.phtml?id=1260810> Acesso em: 12.05.2014
<http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/01/qualidade-das-relacoes-interpessoais-foi-mudada-pelo-universo-virtual-diz-psicanalista.html> Acesso em: 12.05.2014
<http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/tecnologia/noticia/2013/08/28/relacoes-sociais-mudam-com-smartphone-95157.php> Acesso em: 12.05.2014
por Felipe Florentino

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