BENEFÍCIOS
DA LEGALIZAÇÃO DA CANNABIS
SATIVA NO URUGUAI
por
Felipe Florentino Dias de Oliveira
Quais os verdadeiros motivos da
legalização? Existem malefícios após tal ato? De acordo com o
presidente do Uruguai, José Mujica, e o diretor da Junta Nacional de
Drogas, Julio Calzada, a legalização da erva no país é um ato
exclusivo do Uruguai, uma vez que exige uma análise da
infra-estrutura local, mas é tomada como uma iniciativa alternativa
de toda a América Latina para a abordagem atualmente colocada sobre
o consumo de drogas gerais; e traz uma tentativa inovadora para um
país que está abrindo as portas para questões polêmicas como o
aborto e o casamento homossexual. Diante da criação de um Instituto
de Regulação da Cannabis (IRCA) e da aplicação de diversas leis,
o país apresenta medidas fundamentais a serem seguidas, atribuindo
sempre a melhoria na convivência social e na economia do país,
agregando PIB interno suficiente para causar melhorias em setores
adversos.
A
apresentação de uma normatização ao consumo da erva Cannabis
Sativa no
país vizinho ao Brasil trouxe uma perspectiva alternativa para a
visão social imposta nos últimos 50 anos sobre os efeitos e
benefícios da planta. Ambos os países têm incorporados em seus
fatos sociais a visão do usuário como criminoso, traficante,
delinquente. Essa é uma visão que deve ser mudada em primeiro plano
para efetivar uma mudança na guerra contra o tráfico de drogas.
Temos hoje no Brasil uma verdadeira chacina anual na luta contra o
contrabando e a venda, e a solução atualmente encontrada é a de
repressão dos usuários e traficantes, sem discernimento entre
ambos. A polícia age de forma esdrúxula a combater um assunto que o
Estado evita discutir, e leva o povo a desacreditar na verdadeira
motivação por esta luta.
A
abordagem é claramente criticada, e o modo como o Uruguai lida com a
situação foi votada negativamente por 1/3 da população; o que não
levou o Estado do país a desacreditar em seus métodos. Já provada
anteriormente, a moral do presidente Mujica transcende os apelos
sociais de manutenção das críticas de uma população visivelmente
acomodada em seus conceitos de bem ou mal, e propõe uma redefinição
de determinadas questões: a legalização atribui benefícios à
economia? Existe um modo de legalizar sem incitar ao uso? Existe uma
regulamentação capaz de transmitir segurança à sociedade? E a
resposta do país foi sim. No dia 19 de Novembro de 2013 são
oficializados o consumo e a produção da erva Cannabis
Sativa.
O assunto foi tratado, retratado,
publicado e espalhado pelo país por meses. A câmara discutiu e não
chegou a consenso. A juventude vibrou sobre a possibilidade de ser
tratada como usuário e não como criminoso. Os conservadores negaram
a possibilidade de uma reação positiva no país. Nenhum destes foi
motivo para impedir a legalização de acontecer. Diante de muitos
projetos criados, o Estado chegou a uma decisão, e esta decisão é
a de tomar o controle de toda produção e distribuição da
''droga'', atualmente dominado pelo narcotráfico. Ao tirar a
sustentação econômica do mercado negro, todo o crime relacionado
ao tráfico da maconha (que é, atualmente, o maior no mundo) acaba.
De acordo com o diretor da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, o
objetivo não é:
''criar
um mercado de consumo, e sim identificar a existência deste mercado
e estabelecer marcos regulatórios que permitem que ele deixe de
ser opaco e seja transparente, limitado, regulado e controlado
pelo Estado para o benefício da sociedade.''
Para a decepção
daqueles conservadores da opinião pública, o Estado implementará
um novo órgão, chamado de Instituto de Regulação da Cannabis
(IRCA), responsável por emitir a licença necessária para uso ou
consumo de maconha. Tal licença terá três versões: abastecimento
pessoal, plantio ou revenda. Somente moradores do Uruguai terão
acesso à compra oficial.
Além da documentação
obrigatório, o usuário deverá ser maior de 18 anos, poderá
comprar no máximo 40 gramas de cannabis por mês e cultivar no
máximo seis plantas. Existirá também a criação de clubes de
maconha, onde o cultivo é feito de forma coletiva e a produção
será proporcional ao número de membros, seguindo as regras
individuais. Outro tipo de licença será imposto às farmácias; um
laudo normativo para regular a venda, que será feita em postos
farmacêuticos normais, atraindo o consumo nestes locais. O preço
seria estabelecido entre um e dois dólares; mantendo o preço atual
no mercado negro, impedindo a transferência entre as distribuições.
Os benefícios sociais
são indiscutíveis. A cannabis já é provada por causar melhorias
no tratamento de doenças como HIV, TEPT (Transtorno de Estresse Pós
Traumático) e no tratamento por quimioterapia. Além de não
existirem provas concretas de vício – este sendo reconhecido como
psicológico em diversos casos -, também foi recentemente descoberto
que não influencia na decorrência de nenhum tipo de câncer. Além
destes estudos, diversos outros indicam a influência da maconha em
sintomas de doenças crônicas como a doença de Crohn (uma doença
intestinal) e em algumas doenças mentais em detrimento da produção
natural de canabinóides (substância presente tanto na maconha,
quanto no nosso próprio organismo).
Dentre as preocupações
mais ocorridas entre a população, está o aumento do uso de outros
tipos de drogas pela facilidade de acesso à maconha. Estudos feitos
nos EUA comprovam que, ao legalizar a erva em 2001, Portugal diminuiu
o número de jovens fumantes em 4% em 5 anos (pesquisa publicada pela
revista TIME). Ao desassociar a maconha de outras drogas como cocaína
e crack, o indivíduo tende a vê-la como menos ofensiva, elevando a
intenção de evitar drogas pesadas e que possam acarretar danos
sérios ao organismo. Outros dizem que a maconha ganhará a aparência
de uma droga inofensiva, atiçando o consumo. Detém então a
ocorrência da lei que influenciará também órgãos públicos como
o Ministério da Educação, uma vez que a educação sobre drogas
deverá ser incorporada no ensino público secundário
A preocupação do país
está no uso da cannabis sativa, ou do cãnhamo. Este podendo ser
usado na produção têxtil e de papel aumentará o PIB interno, e a
produção poderá, no futuro, ser usada pra exportação para outros
países. Foi estabelecido um montante de 20 toneladas destinadas ao
consumo recreativo, que hoje é um dos fundamentos mais questionados
em países como Holanda, onde a regulamentação não foi bem
atribuída e o consumo é feito de forma desenfreada, onde o Estado
finge fechar os olhos para a produção terceirizada; e a quantia de
US$ 30 milhões que hoje é do poder do tráfico será destinada para
a sociedade.
Em
um país pequeno como o Uruguai, a ideia de uma legalização deste
tamanho é um grande passo. Cabe ao país seguir seus mandamentos e
mostrar à população os verdadeiros benefícios, atribuindo assim
novos significados para conceitos ultrapassados de convivência
social, de preconceito e de combate às drogas. Seguindo uma direção
única e sendo o único país a legalizar
a
maconha, o Uruguai já detinha de leis que priorizavam o bem
individual (como, por exemplo, uma lei que dá liberdade ao indivíduo
enquanto não causar dano nem influenciar a terceiros), exige agora
do povo uma nova perspectiva – podendo, futuramente, influenciar a
descriminilização da Cannabis no Brasil, assunto que ainda
prejudica jovens inocentes e mascara o trabalho policial em uma
ditadura sobre as minorias oprimidas, militarizando a polícia e
deixando o verdadeiro combate às drogas a Deus dará.
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