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sábado, 6 de dezembro de 2014

BENEFÍCIOS DA LEGALIZAÇÃO DA CANNABIS SATIVA NO URUGUAI


por Felipe Florentino Dias de Oliveira




Quais os verdadeiros motivos da legalização? Existem malefícios após tal ato? De acordo com o presidente do Uruguai, José Mujica, e o diretor da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, a legalização da erva no país é um ato exclusivo do Uruguai, uma vez que exige uma análise da infra-estrutura local, mas é tomada como uma iniciativa alternativa de toda a América Latina para a abordagem atualmente colocada sobre o consumo de drogas gerais; e traz uma tentativa inovadora para um país que está abrindo as portas para questões polêmicas como o aborto e o casamento homossexual. Diante da criação de um Instituto de Regulação da Cannabis (IRCA) e da aplicação de diversas leis, o país apresenta medidas fundamentais a serem seguidas, atribuindo sempre a melhoria na convivência social e na economia do país, agregando PIB interno suficiente para causar melhorias em setores adversos.

A apresentação de uma normatização ao consumo da erva Cannabis Sativa no país vizinho ao Brasil trouxe uma perspectiva alternativa para a visão social imposta nos últimos 50 anos sobre os efeitos e benefícios da planta. Ambos os países têm incorporados em seus fatos sociais a visão do usuário como criminoso, traficante, delinquente. Essa é uma visão que deve ser mudada em primeiro plano para efetivar uma mudança na guerra contra o tráfico de drogas. Temos hoje no Brasil uma verdadeira chacina anual na luta contra o contrabando e a venda, e a solução atualmente encontrada é a de repressão dos usuários e traficantes, sem discernimento entre ambos. A polícia age de forma esdrúxula a combater um assunto que o Estado evita discutir, e leva o povo a desacreditar na verdadeira motivação por esta luta.
A abordagem é claramente criticada, e o modo como o Uruguai lida com a situação foi votada negativamente por 1/3 da população; o que não levou o Estado do país a desacreditar em seus métodos. Já provada anteriormente, a moral do presidente Mujica transcende os apelos sociais de manutenção das críticas de uma população visivelmente acomodada em seus conceitos de bem ou mal, e propõe uma redefinição de determinadas questões: a legalização atribui benefícios à economia? Existe um modo de legalizar sem incitar ao uso? Existe uma regulamentação capaz de transmitir segurança à sociedade? E a resposta do país foi sim. No dia 19 de Novembro de 2013 são oficializados o consumo e a produção da erva Cannabis Sativa.

O assunto foi tratado, retratado, publicado e espalhado pelo país por meses. A câmara discutiu e não chegou a consenso. A juventude vibrou sobre a possibilidade de ser tratada como usuário e não como criminoso. Os conservadores negaram a possibilidade de uma reação positiva no país. Nenhum destes foi motivo para impedir a legalização de acontecer. Diante de muitos projetos criados, o Estado chegou a uma decisão, e esta decisão é a de tomar o controle de toda produção e distribuição da ''droga'', atualmente dominado pelo narcotráfico. Ao tirar a sustentação econômica do mercado negro, todo o crime relacionado ao tráfico da maconha (que é, atualmente, o maior no mundo) acaba. De acordo com o diretor da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, o objetivo não é:
''criar um mercado de consumo, e sim identificar a existência deste mercado e estabelecer marcos regulatórios que permitem que ele deixe de ser opaco e seja transparente, limitado, regulado e controlado pelo Estado para o benefício da sociedade.''
Para a decepção daqueles conservadores da opinião pública, o Estado implementará um novo órgão, chamado de Instituto de Regulação da Cannabis (IRCA), responsável por emitir a licença necessária para uso ou consumo de maconha. Tal licença terá três versões: abastecimento pessoal, plantio ou revenda. Somente moradores do Uruguai terão acesso à compra oficial.
Além da documentação obrigatório, o usuário deverá ser maior de 18 anos, poderá comprar no máximo 40 gramas de cannabis por mês e cultivar no máximo seis plantas. Existirá também a criação de clubes de maconha, onde o cultivo é feito de forma coletiva e a produção será proporcional ao número de membros, seguindo as regras individuais. Outro tipo de licença será imposto às farmácias; um laudo normativo para regular a venda, que será feita em postos farmacêuticos normais, atraindo o consumo nestes locais. O preço seria estabelecido entre um e dois dólares; mantendo o preço atual no mercado negro, impedindo a transferência entre as distribuições.
Os benefícios sociais são indiscutíveis. A cannabis já é provada por causar melhorias no tratamento de doenças como HIV, TEPT (Transtorno de Estresse Pós Traumático) e no tratamento por quimioterapia. Além de não existirem provas concretas de vício – este sendo reconhecido como psicológico em diversos casos -, também foi recentemente descoberto que não influencia na decorrência de nenhum tipo de câncer. Além destes estudos, diversos outros indicam a influência da maconha em sintomas de doenças crônicas como a doença de Crohn (uma doença intestinal) e em algumas doenças mentais em detrimento da produção natural de canabinóides (substância presente tanto na maconha, quanto no nosso próprio organismo).
Dentre as preocupações mais ocorridas entre a população, está o aumento do uso de outros tipos de drogas pela facilidade de acesso à maconha. Estudos feitos nos EUA comprovam que, ao legalizar a erva em 2001, Portugal diminuiu o número de jovens fumantes em 4% em 5 anos (pesquisa publicada pela revista TIME). Ao desassociar a maconha de outras drogas como cocaína e crack, o indivíduo tende a vê-la como menos ofensiva, elevando a intenção de evitar drogas pesadas e que possam acarretar danos sérios ao organismo. Outros dizem que a maconha ganhará a aparência de uma droga inofensiva, atiçando o consumo. Detém então a ocorrência da lei que influenciará também órgãos públicos como o Ministério da Educação, uma vez que a educação sobre drogas deverá ser incorporada no ensino público secundário
A preocupação do país está no uso da cannabis sativa, ou do cãnhamo. Este podendo ser usado na produção têxtil e de papel aumentará o PIB interno, e a produção poderá, no futuro, ser usada pra exportação para outros países. Foi estabelecido um montante de 20 toneladas destinadas ao consumo recreativo, que hoje é um dos fundamentos mais questionados em países como Holanda, onde a regulamentação não foi bem atribuída e o consumo é feito de forma desenfreada, onde o Estado finge fechar os olhos para a produção terceirizada; e a quantia de US$ 30 milhões que hoje é do poder do tráfico será destinada para a sociedade.

 Em um país pequeno como o Uruguai, a ideia de uma legalização deste tamanho é um grande passo. Cabe ao país seguir seus mandamentos e mostrar à população os verdadeiros benefícios, atribuindo assim novos significados para conceitos ultrapassados de convivência social, de preconceito e de combate às drogas. Seguindo uma direção única e sendo o único país a legalizar a maconha, o Uruguai já detinha de leis que priorizavam o bem individual (como, por exemplo, uma lei que dá liberdade ao indivíduo enquanto não causar dano nem influenciar a terceiros), exige agora do povo uma nova perspectiva – podendo, futuramente, influenciar a descriminilização da Cannabis no Brasil, assunto que ainda prejudica jovens inocentes e mascara o trabalho policial em uma ditadura sobre as minorias oprimidas, militarizando a polícia e deixando o verdadeiro combate às drogas a Deus dará.

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