quem passa por aqui permanece na memória

sábado, 6 de dezembro de 2014

Alterne a rota

Para   quem   conhece   a   cidade   de Pelotas,   sabe   que   apesar   de   sua
geografia   plana,   de   ruas   antigas   e paralelas, há caminhos que acabam
escapando do centro histórico, onde ordinariamente são sediados eventos, galerias,   teatros   e   casas   de   cultura. Mas   há   rotas   que   começam   a   se modificar na velha cidade, graças a movimentação própria e  espontânea de   nativos   e   “forasteiros”,   que   vem construindo espaços  que priorizam a produção e difusão cultural.

Cartografar   o   mapa   cultural   de Pelotas se torna um desafio, já que o olhar   e   o   passo   precisam   estar atentos   à   ruelas,   pontos   sem iluminação   ou   referências.   A sensação que tenho é que a cidade acontece   onde   os   caminhos   se cruzam,   e   Pelotas   está   repleta   de encruzilhadas.   Negra   de   essência, assentada   no   banhado,   a   “Princesa do   Sul”   abriga   uma   diversidade   de encontros, que valorizam a amizade e a   confiança   como   bases   para   a construção coletiva de ações. 

Gostaria, sim, de falar de todas essas encruzilhadas das quais já me deparei por   diversos   bairros   dessa   cidade   de 300   mil   habitantes,   mas    quero convidar   para   caminharmos   bem próximo   do   espaço   que   é   cotidiano para   grande   parte   da   população pelotense, ou seja, o centro. Mas não quero   que   caminhemos   no “extraordinário” centro bem equipado e subsidiado. Sugiro alternar a rota, e olhar   para   outros    espaços   que compõem   a   zona   mais   periférica   ao centro, como por exemplo, o Porto.


1 . Instituto Mário Alves

O Instituto Mário Alves é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), não partidária e sem fins lucrativos. Desenvolve estudos e pesquisas políticas, econômicas e sociais; promovendo,   ainda,   atividades   de cunho   cultural.   Sua  proposta  central   é  ser  um   espaço  que suscite a discussão, a elaboração e a formação política, além de organizar materiais capazes de embasar essas atividades e diversas pesquisas.

Periodicamente,   o   Instituto   organiza   cursos,   seminários,   palestras   e   outras   atividades   que proporcionam um espaço de construção da cidadania, capacitação e formação de militantes e dos movimentos sociais. Seu acervo contribui para a pesquisa histórica através da preservação da memória e concentração, em um único espaço, de uma estrutura que abarca uma diversidade de iniciativas e temas, que está permanentemente exposta e disponível à utilização pública.


2. Casa Fora do Eixo Pelotas

O Fora do Eixo é uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho constituída por coletivos de cultura pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo, da   divulgação,   da   formação   e   intercâmbio   entre   redes   sociais,   do   respeito   à    diversidade,   à pluralidade e às identidades culturais, do empoderamento dos sujeitos e alcance da autonomia quanto   às   formas   de   gestão   e    participação   em   processos   sócio­culturais,   do   estímulo   à autoralidade,   à   criatividade,   à   inovação   e   à   renovação,   da    democratização   quanto   ao desenvolvimento, uso e compartilhamento de tecnologias livres aplicadas às expressões culturais e da sustentabilidade pautada no uso e desenvolvimento de tecnologias sociais.

A Casa Fora do Eixo Pelotas, assim como outras Casas Fora do Eixo do Brasil,  “atua como espaço de intercâmbio  de informações, metodologias,  práticas  colaborativas  e construção coletiva, o que transforma em mais um Campi da Universidade Livre Fora do Eixo.” Além disso, “a Casa Fora do Eixo Pelotas compreende em um só lugar moradia, escritório, espaço de vivências, casa de show, estúdio e agencia de mídia livre, além de ser ambiente de  trabalho para todas as frentes do circuito Fora do Eixo”


3. Casa Okupa 171

Espaço   contracultural   anarquista,   existente desde   2009,   tem   como    proposta   garantir   um lugar para divulgar as ideias e a cultura libertária, assim como propiciar a sua vivência. A   Okupa   compreende   espaço   de   moradia e espaço   cultural.
Através   das   habilidades   de cada   um   dos   habitantes,   propõe­m-se   atividades destinadas   ao   público,   criando   vínculos   com   a comunidade. Trazendo o público para dentro da casa   e,   através   desse   contato,    discutir possibilidades alternativas de vida. Possui   biblioteca,   serigrafia,   sala   de   ensaio   e espaço   para   treinamento   de   circo.
Economicamente a casa se mantém através do trabalho   coletivo   realizado   na   CooperaAtiva culinária 171.


4. ArteCidade Criativa

O   Instituto   ArtCidade   Criativa   é   um   espaço construído   de   forma   coletiva,   em   sua   maioria estudantes universitários.Tem como princípio investir no   potencial   transformador   e   inovador   da criatividade,   e   vê   as   cidades   como   espaços primordiais   para   as   ações   criativas.   Além   disso, apoia   o   fortalecimento   de   redes   de   cooperação para   que   a   criatividade   se   configure,   cada   vez mais,   em   um   estilo   de   vida   que   promova   a inovação,   a   sustentabilidade,   a   inclusão,   a autonomia e a diversidade cultural.
Atuam com diversos projetos, tais como Formação Livre   (Workshops,    palestras,   oficinas,   rodas   de conversa, debates, tutoriais online), Oficinas Lúdicas (Oficinas   de   Origami,   Grafite,   Teatro,   Malabares, Artesanato, Parkour, Cinema) e Ocupação Urbana (Intervenções Urbanas, Eventos  culturais e artísticos, Oficinas Urbanas).


5. Casinha

Surgiu   há   dois   anos   como   “QG”   dos   organizadores   do   Piquenique  Cultural.   O   espaço   propõe atividades   como   oficinas   de   dança   do    ventre,   noite   de   jogos   de   tabuleiros,   e   “embalinhos” temáticos.


6. Ocupação Coletiva de Arteirxs – OCA

Espaço de cultura gestionado por estudantes universitários, em sua maioria dos cursos de Artes (Teatro,   Música,   Artes   Visuais).   O   prédio,   que    pertence   à   Universidade   Federal   de   Pelotas,   foi reinvindicado para realização de atividades e práticas culturais.
Também  serve  como  ponto   estratégico  para o  grupo #OCUPAQUADRADO,  que  tem  realizado ações para difundir a atual situação da zona portuária. Oferece atividades como oficinas (yoga, dança, teatro), exposições e mostras artísticas.


7. Katanga's

Para além de um bar, o Katanga's se propoe a dar visibilidade a história dos negros de Pelotas. Periodicamente acontecem atividades referentes a  temática, tais como exposições de arquivos, fotos e vídeos, conversas e oficinas.

No espaço também ocorrem shows e apresentações artísticas. O Bar é gerido pelo popular Hélio, e conta com a colaboração de artistas, como Andrea Mazza e Emerson Ferreira.

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