quem passa por aqui permanece na memória

sábado, 6 de dezembro de 2014

Alterne a rota

Para   quem   conhece   a   cidade   de Pelotas,   sabe   que   apesar   de   sua
geografia   plana,   de   ruas   antigas   e paralelas, há caminhos que acabam
escapando do centro histórico, onde ordinariamente são sediados eventos, galerias,   teatros   e   casas   de   cultura. Mas   há   rotas   que   começam   a   se modificar na velha cidade, graças a movimentação própria e  espontânea de   nativos   e   “forasteiros”,   que   vem construindo espaços  que priorizam a produção e difusão cultural.

Cartografar   o   mapa   cultural   de Pelotas se torna um desafio, já que o olhar   e   o   passo   precisam   estar atentos   à   ruelas,   pontos   sem iluminação   ou   referências.   A sensação que tenho é que a cidade acontece   onde   os   caminhos   se cruzam,   e   Pelotas   está   repleta   de encruzilhadas.   Negra   de   essência, assentada   no   banhado,   a   “Princesa do   Sul”   abriga   uma   diversidade   de encontros, que valorizam a amizade e a   confiança   como   bases   para   a construção coletiva de ações. 

Gostaria, sim, de falar de todas essas encruzilhadas das quais já me deparei por   diversos   bairros   dessa   cidade   de 300   mil   habitantes,   mas    quero convidar   para   caminharmos   bem próximo   do   espaço   que   é   cotidiano para   grande   parte   da   população pelotense, ou seja, o centro. Mas não quero   que   caminhemos   no “extraordinário” centro bem equipado e subsidiado. Sugiro alternar a rota, e olhar   para   outros    espaços   que compõem   a   zona   mais   periférica   ao centro, como por exemplo, o Porto.


1 . Instituto Mário Alves

O Instituto Mário Alves é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), não partidária e sem fins lucrativos. Desenvolve estudos e pesquisas políticas, econômicas e sociais; promovendo,   ainda,   atividades   de cunho   cultural.   Sua  proposta  central   é  ser  um   espaço  que suscite a discussão, a elaboração e a formação política, além de organizar materiais capazes de embasar essas atividades e diversas pesquisas.

Periodicamente,   o   Instituto   organiza   cursos,   seminários,   palestras   e   outras   atividades   que proporcionam um espaço de construção da cidadania, capacitação e formação de militantes e dos movimentos sociais. Seu acervo contribui para a pesquisa histórica através da preservação da memória e concentração, em um único espaço, de uma estrutura que abarca uma diversidade de iniciativas e temas, que está permanentemente exposta e disponível à utilização pública.


2. Casa Fora do Eixo Pelotas

O Fora do Eixo é uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho constituída por coletivos de cultura pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo, da   divulgação,   da   formação   e   intercâmbio   entre   redes   sociais,   do   respeito   à    diversidade,   à pluralidade e às identidades culturais, do empoderamento dos sujeitos e alcance da autonomia quanto   às   formas   de   gestão   e    participação   em   processos   sócio­culturais,   do   estímulo   à autoralidade,   à   criatividade,   à   inovação   e   à   renovação,   da    democratização   quanto   ao desenvolvimento, uso e compartilhamento de tecnologias livres aplicadas às expressões culturais e da sustentabilidade pautada no uso e desenvolvimento de tecnologias sociais.

A Casa Fora do Eixo Pelotas, assim como outras Casas Fora do Eixo do Brasil,  “atua como espaço de intercâmbio  de informações, metodologias,  práticas  colaborativas  e construção coletiva, o que transforma em mais um Campi da Universidade Livre Fora do Eixo.” Além disso, “a Casa Fora do Eixo Pelotas compreende em um só lugar moradia, escritório, espaço de vivências, casa de show, estúdio e agencia de mídia livre, além de ser ambiente de  trabalho para todas as frentes do circuito Fora do Eixo”


3. Casa Okupa 171

Espaço   contracultural   anarquista,   existente desde   2009,   tem   como    proposta   garantir   um lugar para divulgar as ideias e a cultura libertária, assim como propiciar a sua vivência. A   Okupa   compreende   espaço   de   moradia e espaço   cultural.
Através   das   habilidades   de cada   um   dos   habitantes,   propõe­m-se   atividades destinadas   ao   público,   criando   vínculos   com   a comunidade. Trazendo o público para dentro da casa   e,   através   desse   contato,    discutir possibilidades alternativas de vida. Possui   biblioteca,   serigrafia,   sala   de   ensaio   e espaço   para   treinamento   de   circo.
Economicamente a casa se mantém através do trabalho   coletivo   realizado   na   CooperaAtiva culinária 171.


4. ArteCidade Criativa

O   Instituto   ArtCidade   Criativa   é   um   espaço construído   de   forma   coletiva,   em   sua   maioria estudantes universitários.Tem como princípio investir no   potencial   transformador   e   inovador   da criatividade,   e   vê   as   cidades   como   espaços primordiais   para   as   ações   criativas.   Além   disso, apoia   o   fortalecimento   de   redes   de   cooperação para   que   a   criatividade   se   configure,   cada   vez mais,   em   um   estilo   de   vida   que   promova   a inovação,   a   sustentabilidade,   a   inclusão,   a autonomia e a diversidade cultural.
Atuam com diversos projetos, tais como Formação Livre   (Workshops,    palestras,   oficinas,   rodas   de conversa, debates, tutoriais online), Oficinas Lúdicas (Oficinas   de   Origami,   Grafite,   Teatro,   Malabares, Artesanato, Parkour, Cinema) e Ocupação Urbana (Intervenções Urbanas, Eventos  culturais e artísticos, Oficinas Urbanas).


5. Casinha

Surgiu   há   dois   anos   como   “QG”   dos   organizadores   do   Piquenique  Cultural.   O   espaço   propõe atividades   como   oficinas   de   dança   do    ventre,   noite   de   jogos   de   tabuleiros,   e   “embalinhos” temáticos.


6. Ocupação Coletiva de Arteirxs – OCA

Espaço de cultura gestionado por estudantes universitários, em sua maioria dos cursos de Artes (Teatro,   Música,   Artes   Visuais).   O   prédio,   que    pertence   à   Universidade   Federal   de   Pelotas,   foi reinvindicado para realização de atividades e práticas culturais.
Também  serve  como  ponto   estratégico  para o  grupo #OCUPAQUADRADO,  que  tem  realizado ações para difundir a atual situação da zona portuária. Oferece atividades como oficinas (yoga, dança, teatro), exposições e mostras artísticas.


7. Katanga's

Para além de um bar, o Katanga's se propoe a dar visibilidade a história dos negros de Pelotas. Periodicamente acontecem atividades referentes a  temática, tais como exposições de arquivos, fotos e vídeos, conversas e oficinas.

No espaço também ocorrem shows e apresentações artísticas. O Bar é gerido pelo popular Hélio, e conta com a colaboração de artistas, como Andrea Mazza e Emerson Ferreira.
BENEFÍCIOS DA LEGALIZAÇÃO DA CANNABIS SATIVA NO URUGUAI


por Felipe Florentino Dias de Oliveira




Quais os verdadeiros motivos da legalização? Existem malefícios após tal ato? De acordo com o presidente do Uruguai, José Mujica, e o diretor da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, a legalização da erva no país é um ato exclusivo do Uruguai, uma vez que exige uma análise da infra-estrutura local, mas é tomada como uma iniciativa alternativa de toda a América Latina para a abordagem atualmente colocada sobre o consumo de drogas gerais; e traz uma tentativa inovadora para um país que está abrindo as portas para questões polêmicas como o aborto e o casamento homossexual. Diante da criação de um Instituto de Regulação da Cannabis (IRCA) e da aplicação de diversas leis, o país apresenta medidas fundamentais a serem seguidas, atribuindo sempre a melhoria na convivência social e na economia do país, agregando PIB interno suficiente para causar melhorias em setores adversos.

A apresentação de uma normatização ao consumo da erva Cannabis Sativa no país vizinho ao Brasil trouxe uma perspectiva alternativa para a visão social imposta nos últimos 50 anos sobre os efeitos e benefícios da planta. Ambos os países têm incorporados em seus fatos sociais a visão do usuário como criminoso, traficante, delinquente. Essa é uma visão que deve ser mudada em primeiro plano para efetivar uma mudança na guerra contra o tráfico de drogas. Temos hoje no Brasil uma verdadeira chacina anual na luta contra o contrabando e a venda, e a solução atualmente encontrada é a de repressão dos usuários e traficantes, sem discernimento entre ambos. A polícia age de forma esdrúxula a combater um assunto que o Estado evita discutir, e leva o povo a desacreditar na verdadeira motivação por esta luta.
A abordagem é claramente criticada, e o modo como o Uruguai lida com a situação foi votada negativamente por 1/3 da população; o que não levou o Estado do país a desacreditar em seus métodos. Já provada anteriormente, a moral do presidente Mujica transcende os apelos sociais de manutenção das críticas de uma população visivelmente acomodada em seus conceitos de bem ou mal, e propõe uma redefinição de determinadas questões: a legalização atribui benefícios à economia? Existe um modo de legalizar sem incitar ao uso? Existe uma regulamentação capaz de transmitir segurança à sociedade? E a resposta do país foi sim. No dia 19 de Novembro de 2013 são oficializados o consumo e a produção da erva Cannabis Sativa.

O assunto foi tratado, retratado, publicado e espalhado pelo país por meses. A câmara discutiu e não chegou a consenso. A juventude vibrou sobre a possibilidade de ser tratada como usuário e não como criminoso. Os conservadores negaram a possibilidade de uma reação positiva no país. Nenhum destes foi motivo para impedir a legalização de acontecer. Diante de muitos projetos criados, o Estado chegou a uma decisão, e esta decisão é a de tomar o controle de toda produção e distribuição da ''droga'', atualmente dominado pelo narcotráfico. Ao tirar a sustentação econômica do mercado negro, todo o crime relacionado ao tráfico da maconha (que é, atualmente, o maior no mundo) acaba. De acordo com o diretor da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada, o objetivo não é:
''criar um mercado de consumo, e sim identificar a existência deste mercado e estabelecer marcos regulatórios que permitem que ele deixe de ser opaco e seja transparente, limitado, regulado e controlado pelo Estado para o benefício da sociedade.''
Para a decepção daqueles conservadores da opinião pública, o Estado implementará um novo órgão, chamado de Instituto de Regulação da Cannabis (IRCA), responsável por emitir a licença necessária para uso ou consumo de maconha. Tal licença terá três versões: abastecimento pessoal, plantio ou revenda. Somente moradores do Uruguai terão acesso à compra oficial.
Além da documentação obrigatório, o usuário deverá ser maior de 18 anos, poderá comprar no máximo 40 gramas de cannabis por mês e cultivar no máximo seis plantas. Existirá também a criação de clubes de maconha, onde o cultivo é feito de forma coletiva e a produção será proporcional ao número de membros, seguindo as regras individuais. Outro tipo de licença será imposto às farmácias; um laudo normativo para regular a venda, que será feita em postos farmacêuticos normais, atraindo o consumo nestes locais. O preço seria estabelecido entre um e dois dólares; mantendo o preço atual no mercado negro, impedindo a transferência entre as distribuições.
Os benefícios sociais são indiscutíveis. A cannabis já é provada por causar melhorias no tratamento de doenças como HIV, TEPT (Transtorno de Estresse Pós Traumático) e no tratamento por quimioterapia. Além de não existirem provas concretas de vício – este sendo reconhecido como psicológico em diversos casos -, também foi recentemente descoberto que não influencia na decorrência de nenhum tipo de câncer. Além destes estudos, diversos outros indicam a influência da maconha em sintomas de doenças crônicas como a doença de Crohn (uma doença intestinal) e em algumas doenças mentais em detrimento da produção natural de canabinóides (substância presente tanto na maconha, quanto no nosso próprio organismo).
Dentre as preocupações mais ocorridas entre a população, está o aumento do uso de outros tipos de drogas pela facilidade de acesso à maconha. Estudos feitos nos EUA comprovam que, ao legalizar a erva em 2001, Portugal diminuiu o número de jovens fumantes em 4% em 5 anos (pesquisa publicada pela revista TIME). Ao desassociar a maconha de outras drogas como cocaína e crack, o indivíduo tende a vê-la como menos ofensiva, elevando a intenção de evitar drogas pesadas e que possam acarretar danos sérios ao organismo. Outros dizem que a maconha ganhará a aparência de uma droga inofensiva, atiçando o consumo. Detém então a ocorrência da lei que influenciará também órgãos públicos como o Ministério da Educação, uma vez que a educação sobre drogas deverá ser incorporada no ensino público secundário
A preocupação do país está no uso da cannabis sativa, ou do cãnhamo. Este podendo ser usado na produção têxtil e de papel aumentará o PIB interno, e a produção poderá, no futuro, ser usada pra exportação para outros países. Foi estabelecido um montante de 20 toneladas destinadas ao consumo recreativo, que hoje é um dos fundamentos mais questionados em países como Holanda, onde a regulamentação não foi bem atribuída e o consumo é feito de forma desenfreada, onde o Estado finge fechar os olhos para a produção terceirizada; e a quantia de US$ 30 milhões que hoje é do poder do tráfico será destinada para a sociedade.

 Em um país pequeno como o Uruguai, a ideia de uma legalização deste tamanho é um grande passo. Cabe ao país seguir seus mandamentos e mostrar à população os verdadeiros benefícios, atribuindo assim novos significados para conceitos ultrapassados de convivência social, de preconceito e de combate às drogas. Seguindo uma direção única e sendo o único país a legalizar a maconha, o Uruguai já detinha de leis que priorizavam o bem individual (como, por exemplo, uma lei que dá liberdade ao indivíduo enquanto não causar dano nem influenciar a terceiros), exige agora do povo uma nova perspectiva – podendo, futuramente, influenciar a descriminilização da Cannabis no Brasil, assunto que ainda prejudica jovens inocentes e mascara o trabalho policial em uma ditadura sobre as minorias oprimidas, militarizando a polícia e deixando o verdadeiro combate às drogas a Deus dará.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Aberto e para todos os públicos


       Por volta de 5 anos, Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, vem sofrendo uma forte transformação na produção e difusão cultural. O foco é democratizar a cultura, e para isso, eventos gratuitos vem ressignificando espaços públicos da cidade.

Abaixo algumas iniciativas, e um breve histórico sobre cada uma delas.


Piquenique Cultural



É um evento itinerante e aberto à população que acontece em praças e parques desde 2010.
É multiartístico, envolvendo teatro, dança, circo, música, cinema, artes visuais, literatura. É também educacional, já que promove palestras, workshops e oficinas.

Todas as atividades são gratuitas.

Os artistas e demais participantes são convidados com antecedência para compor a programação.

As exposições, palestras, apresentações musicais e demais ações acontecem de forma paralela e simultânea.

Foi idealizado pelo Teatro do Chapéu Azul e é realizado com a participação ativa de diversos agentes e instituições.

Participam coletivos de artistas, artistas independentes (profissionais e amadores), universitários de todas as áreas, artesãos, entre outros.


Sofá na Rua


Acontece mensalmente em frente a sede da Casa Fora do Eixo Pelotas, na Rua Almirante Tamandaré, entre as ruas Quinze de Novembro e Andrade Neves - zona portuária da cidade. Idealizado pela Casa Fora do Eixo em outubro de 2012, o evento busca trazer um novo meio de diversão para o público pelotense, trazendo novas bandas e grupos artísticos para realizar apresentações gratuitas.


Leva esse nome por, de fato, ter um ou mais sofás na rua, levando sensação de maior intimidade e conforto ao público.

Feira do Livro Independente e Autônoma de Pelotas (FLIA – Pelotas)


A FLIA acontece em Pelotas desde 2011, e foi idealizada por coletivos autonômos da cidade de Buenos Aires – AR. Trata-se de uma feira do livro itinerante que incentiva e difunde a produção literária, artística e cultural da cidade.


Está indo para sua 4ª edição, e é livre de patrocínios. Preza a autogestão e a horizontalidade para a construção da mesma.


Agosto Negro


Evento anual idealizado pelo movimento dos direitos civis norte-americanos nos anos 70, que visa refletir a situação de discriminação sofrida até os dias de hoje pela população negra. Em Pelotas, o Coletivo Negada realiza duas semanas ininterruptas de atividades no mês de Agosto desde 2011.

Esse ano completou sua 4ª edição na nova sede do Coletivo, localizada no Bairro Balneário dos Prazeres.


Bazar Vera Prima


De forma independente e itinerante esse evento busca facilitar a circulação de produções artísticas mais voltadas para o artesanato, proporcionando seu encontro em lugares ao mesmo alternativos e populares. As pessoas levam suas coisas, divulgam seus trabalhos.

É organizado pela Casa Verde, desde 2013.




quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Grupo Tatá Dança-Teatro é destaque no 1º Congresso de Extensão e Cultura (CEC)



 A semana de 08 à 12 de setembro, foi de intensa movimentação nos corredores do Campus Anglo da Universidade Federal de Pelotas - UFPel. Três grandes eventos – o 23º Congresso de Iniciação Científica (CIC), do 16º Encontro de Pós-Graduação (Enpos) e do 1º Congresso de Extensão e Cultura (CEC) – ocorreram simultaneamente, demonstrando o grande mosaico de produção de conhecimento dentro da Universidade.

Pensando em dar maior visibilidade aos projetos de extensão da UFPel, a Pró-reitoria de Extensão e Cultura – PREC junto ao Núcleo de Arte Linguagem e Subjetividade – NALS, e o Programa de Educação Tutorial – PET Fronteiras, promoveram o 1º Congresso de Extensão e Cultura com a temática Memórias e Muitos Tempos. Dentro da programação ocorrerram mais três eventos: o Colóquio de Integração Brasil – Uruguai, Encontro de Estudantes Extensionistas e o Fórum de Extensão Arte e Cultura Popular.

Na quinta-feira (11) houve mostras de projetos de extensão com maior destaque na Universidade, incluindo o projeto “Tatá: Dança-Teatro”. O Programa de extensão da UFPel propõe ser uma ponte entre a pesquisa, as reflexões e práticas desenvolvidas no Curso de Dança – Licenciatura e a comunidade de Pelotas e região. Trabalham a partir da realização de apresentações e mostra do processo de criação em escolas públicas.

Os "atores-bailarinos" do grupo Tatá
Como modo de qualificar a fruição do espetáculo e a troca com o grupo, o projeto também prevê uma oficina de capacitação dos professores, com foco na linguagem da dança e a relação desta com a educação. O programa integra atores-bailarinos dos cursos de dança-teatro da universidade, com o objetivo de difundir a dança contemporânea, promover a arte-educação e contribuir com a formação de público.

Sobre o Congresso, Gessi Konzgen – coreógrafa do grupo acrescenta:
A gente tem que divulgar os projetos de extensão. Assim como não nos conhecem, a gente não conhece os outros projetos. É um retorno que a universidade pode dar para a comunidade. Tem que retornar, é o ponto central do que é público.”

Encerrando sua participação no CEC, foi apresentado o espetáculo “Terra de muitos chegares”, que propõe uma reflexão sobre as várias memórias que compõem a História do Brasil. O grupo se apresenta basicamente em escolas de ensino público. Segue abaixo um vídeo de apresentação do grupo. Para saber mais, acesse o site: http://grupotata.blogspot.com.br.



domingo, 6 de julho de 2014

     Realizamos uma entrevista com a Psicóloga Ceires Gonçalves de Oliveira acerca das influências da tecnologia no psiquismo humano, e quais os motivos provenientes do meio digital podem vir a influenciar a saúde mental das pessoas. 
     Dentre todas as discussões, foi possível concluir que existem diversas influências causadas pelo novo modo como vivemos, mas mais abrangente: sobre o modo como nos deixamos viver.
     A escolha do uso responsável e controlado das novas tecnologias serve para nós de guia, para o melhor uso e para que possamos usufruir sempre ao máximo das facilidades trazidas pela modernidade.
     Seguem trechos da entrevista realizada na Quinta (03).


E: Entrevistador
CO: Ceires de Oliveira

E: Hoje em dia é possível relacionar doenças como depressão, síndrome do pânico, stress, ansiedade, entre outras doenças psicológicas, com o uso das tecnologias digitais?

CO: Sim, pode. As pessoa se compadecem muito. Ou uma por uma ordem afetiva, ou por estarem sozinhas, e acabam, realmente, usando a tecnologia como uma fuga. Tanto como o stress, como a depressão, como uma alta ansiedade, pra poder resolver coisas com rapidez; e acabam utilizando esse instrumento como uma base para aquilo que elas tão passando pelo momento. Pode ser qualquer coisa, tanto uma depressão como uma ansiedade, enfim… é indiferente.


E: E as pessoas que utilizam a internet sem um propósito fixo, ou que não conseguem se deter num propósito, você acha que elas podem viciar em se distrair naquele meio?

CO: Até pode. Qual é o problema maior? É a compulsão. O que é a compulsão? É quando não há um freio desse impulso, desse instinto. Então a pessoa ela liga porque, ah, eu sempre ligo, como se fosse tomar um café. Como se fosse um hábito. Porque isso deixa de ser hábito. Hábitos são coisas boas que fazemos.  Na compulsão é o contrário. É esse impulso, onde tem um comportamento repetitivo que já não é bom. Por exemplo, eu ligo o computador todos os dias. Eu faço isso todos os dias e toda hora. Mas só onde é que está ruim? É quando tu deixa tua vida pra estar totalmente ali. 


E: Atualmente, com todos os adventos da tecnologias, com todas as facilidades que a tecnologia traz, as pessoas sabem diferenciar o que é real e o que é virtual? Talvez dentro dos sentimentos, das relações humanas.

CO: Não. Quem tá nessa compulsão, não. Quem não está consegue visualizar o quanto isso atrapalha o ser humano. Vou te dar a ideia do Facebook. O Facebook é uma coisa que eu pontuo bastante. É uma rede social. As pessoas misturam colocando então como pessoal. Pessoal é outra coisa. Eu sempre digo: imagine tu no meio, na rua, no meio de um povo todo e tu falando com elas. Muitas coisas tu não pode falar pra todos porque é de um âmbito muito pessoal. E misturam muito isso. Então o virtual não tá bem colocado pras pessoas.


CO: (A rede informática) tá ainda se encontrando; vamos colocar a informática para nós. Ainda tá se encontrando isso. Aos poucos vai se percebendo. É um mecanismo que vem há pouco tempo até as nossas vidas. Ainda tem muito o que organizar, por quê? Porque o ser humano é complexo, ele sempre vai trazer uma dificuldade a ser pensada e repensada. Então a tecnologia ela também vai ao encontro desse cidadão. Agora a gente tá falando de sociedade, estamos falando de política, estamos falando de várias coisas que são importantes como meio de justiça. Há essas pessoas que necessitam desse retorno.

E: A gente tá tocando muito no assunto do lado negativo. Do lado que as pessoas não controlam, não limitam. Tu acredita que exista o ideal, então? Do lado que esse meio possa ser usufruido?

CO: Eu acredito que sim. Porque assim, eu digo isso porque têm pessoas que já estão pensando nisso, já estão fazendo coisas excelentes. Um dos meios é a comunicação mais responsável nisso tudo porque querem levar a informação correta e certa. A ideia aí é trazer o mundo pra ser pensado e refletido. E esse mundo é muito importante. Aí eu volto praquela coisa bem antiga dos filósofos que diz assim: o que esse homem quer, o que esse homem deseja? O que nós buscamos como humanos? É ser feliz. É o intuito de todo mundo. Então, pra isso, a gente sempre vai ir atrás dessa felicidade, de uma maneira ou de outra. 
Ver o humano como humano, né. E que ele é demasiadamente humano.

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Se gostou da entrevista e/ou gostaria de mais informações, deixe seu comentário abaixo e entre em contato com um dos participantes do blog morrrde, 
Mastigando Entropias.
       A modernidade trouxe para a nova geração uma gama infinita de possibilidades. 
     Desde o avanço e apoderamente da internet, os jovens adultos reconherram seu espaço além da porta de seus quartos e além de sua independência; descobriram este espaço no mundo digital.
Como toda influência, a população foi logo invadida por este espaço líquido, e a preferir dedicar um tempoa para relacionarem-se pelo mundo virtual.

      Mas como toda boa novidade, os anos trouxeram facilidades demais para evitar uma supervalorização desde espaço impalpável e novo, e logo isso poderia vir a tornar-se uma fuga das relações ditas reais.
Relações menos estáveis, desprendimento do real, um excesso de informação . Nunca foi pensado que lidar com algo que só mostrava ter lados positivios, pudesse tornar-se nocivo.
      A totalidade do uso da internet influencia o modo de comprar, relacionar-se, gastar o tempo extra, até fatores que poderiam ser considerados prejudiciais.
      Sendo um dos maiores consumidores do mundo virtual, o Brasil não exclui-se da possibilidade de sofrer com os maus que a rede pode causar às nossas relações. Considerado aceitável por muitos pais, o uso controlado da rede acaba não se tornando parte dos limites impostos aos filhos.
      Sendo um mal somente quando ignorada como possível causadora de danos aos valores humanos, a internet deve ser observada de olhos e ouvidos bem abertos, e opiniões bem críticas quanto a formação do intelecto humano.
Quais são, hoje, os limites da rede que você se impõe?

terça-feira, 1 de julho de 2014

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual

           As relações entre as pessoas estão mudando ao longo dos séculos e isto não  é novidade para ninguém. Filmes clichês que contam histórias cheias de sofrimento, surtos e problemas enchem as salas de cinema para dar um tom mais dramático a essas interações virtuais e pouco presentes. Medianeras, por outro lado, vem trazer um tom mais simples e palpável ao mal do século XXI, contando a história, simultaneamente, de dois personagens que muitas vezes parecem ter uma vida muito parecida com a nossa.
           Filmado em Buenos Aires, capital da Argentina e lançado em 2011, o longa dirigido por Gustavo Taretto conquistou dois prêmios no Festival de Gramado, o de filme estrangeiro do ano e o de melhor diretor. O filme, que possui forte influência do diretor de cinema americano Woody Allen, traz várias alusões e metáforas relacionando a arquitetura da cidade e a relação de seus moradores, muitas vezes solitários e perdidos na multidão e entre os prédios com suas diferentes construções.
          Dois vizinhos que nunca se encontraram devido a fobia social e só se comunicaram atraves de chats na internet. Martin, abandonado pela namorada, webdesigner e criador de sites, depressivo em tratamento e viciado em remédios; Mariana, em luto com o mundo dos relacionamentos depois de ser deixada pelo marido, e arquiteta por formação, mas que nunca exerceu a profissão e se tornou vitrinista, tem fobia de elevadores e prefere seus manequins a qualquer interação humana.
          De dentro de seus micro-apartamentos que os enclausuram do mundo, Mariana e Martin ainda não se conhecem, mas foram feitos um para o outro. São somente separados pelas suas medianeras, as paredes dos seus prédios que não os deixam ver, o lado que não serve para nada além de propagandas, mas que os fizeram ter uma mesma ideia: quebrar a parede, fazer uma janela e deixar o sol entrar, ou poder enxergar um pouco mais além do que tem ao redor.   
         O filme busca retratar de forma leve, como as pessoas se fecharam em um mundo virtual, tornando-se cada vez mais escassa a relação sica, o contato pessoal. Por outro lado revela a solidão passiva e o medo de permanecerem sozinhas, por essas mesmas pessoas que ainda buscam o seu "Wally" no meio da multidão, personagem esse que Mariana brinca de encontrar em seus livros desde criança. Em meio a inúmeros quase encontros entre os protagonistas ao longo da trama, o destino - ou a internet e solidão - insistem em desencontros causados pelo simples fato de não olharem ao redor e não acreditarem que em meio a milhoes de pessoas, encontrarão uma especial.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Comunicação e Direitos Humanos nas Redes Digitais de Informação

O que a internet e o jornalismo tem (no seu fundamento) em comum? Atrevo-me sugerir uma resposta: ambas são poderosas ferramentas na busca e difusão de informação e conhecimento. Ambas, também, tiveram, e ainda tem uma série de profissionais comprometidos manutenção do pilar democrático da liberdade de expressão, e o direito de saber a verdade.

As águas do mar cibernético são turvas, e sabemos que nem todxs que por lá navegam estão preocupados e comprometidos com tais princípios democráticos. Assim que diariamente são “avistados” casos de aliciamento, produção e difusão em larga escala de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes, racismo, neonazismo, intolerância religiosa, homofobia, apologia e incitação a crimes contra a vida e maus tratos contra animais.

E apesar da Internet no Brasil ter um percentual de 42% da população de usuários da rede, segundo dados da Organização Safernet, o número de denúncias contra a violações dos direitos humanos, no ano de 2013, não chegaram ao número de 2000 denúncias. Será que tudo está em paz, ou deixamos de ter uma polícia militar, que só no Rio de Janeiro, é responsável por 10% dos homicídios da cidade? E esse é só um caso de violação, que não é muito abordado e difundido.


Você já se perguntou o quanto de informação “oficial” não chega até você? Mesmo sabendo que essa informação pode influenciar completamente em nossas vidas? Em 2006 vai ao ar o WikiLeaks, um site de informações que iriam mudar os rumos não só do jornalismo de investigação, mas como enxergamos os poderes de Estado e de interesse privado. Documentos, fotos e informações confidenciais foram sendo publicadas, e todas com o único e exclusivo interesse em deixar as pessoas à par de injustiças cometidas com populações inocentes. Em outras palavras, em prol do direito em saber a verdade.


Tudo isso parece um pouco o roteiro do filme Matrix, mas o virtual tomou dimensões reais dentro das fronteiras legais de cada nação. Hoje, Julian Assange, editor chefe do WikiLeaks, está preso na Inglaterra, há mais de 3 anos, aguardando julgamento do Estado Monárquico Inglês sobre a divulgação “não-autorizada” de documentos oficiais.

Será que a liberdade de expressão, inclusive de informações, segue abaixo da censura interessada na máxima “saber é poder”? E assim, entendendo que poder em muitas mãos pode ser perigoso, resolve tomá-lo para si.


Julian Assange, Mumia-Abu-Jamal, e tantos outros jornalistas são mártires comprometidos em zelar dignidade e a liberdade humana, a qual, ao contrário do que o consumo nos vende, é impossível se baseada em mentiras.

E só para não esquecer, não se omita ao ver na internet qualquer conteúdo que viole os direitos humanos, se informe e denúncie!



segunda-feira, 26 de maio de 2014

A praticidade da leitura ou a ruína do hábito? E-books









Dispositivo Kindle, disponibilizado
pelas lojas Amazon 
O aperfeiçoamento tecnológico dos meios móveis de Comunicação estimulam um novo tipo de leitura: os e-books. Após grandes editoras e revendedoras como Amazon aderirem ao novo vício - e até criarem novas plataformas como o Kindle -, o acesso a essa novidade no Brasil aumentou. Além das vendas dos tablets e smartphones (que excede os 30 milhões em 2013), dispositivos de leituras chegaram às mãos dos leitores digitais, conhecidos como e-readers.


Pesquisas indicam que a assiduidade dos leitores digitais cresceu após o aperfeiçoamento destes dispositivos. Derivando talvez da praticidade e custo, os e-readers possuem o voto positivo do Meio Ambiente e das editoras, que já somam 2,5% de suas publicações às mídias digitais. 


Com certeza uma ótima perspectiva para aqueles que já aderem às novas tecnologias, mas um pesar aos conservadores do hábito da leitura, papel, caneta e anotações próprias. Em meios como as escolas é aceitável o uso dos livros digitais no ensino, eliminando um peso e custo para os alunos; como fez uma escola particular do Tennessee, EUA, ao substituir os livros didáticos por Tablets iPad, eliminando os quase 20kg de livros que os alunos eram obrigados a carregar e restringindo a escrita manual para exercícios e caligrafia. Tal uso da tecnologia a nosso favor não mantém-se longe do Brasil. De acordo com o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), estão previstas para 2015 a aquisição de 80 milhões de livros, dentre os quais incluem-se obras na plataforma digital. 



A substituição iminente e totalitária da forma física de leitura é improvável. Existem, porém, meios em que esta vem a calhar no custo e disponibilidade, como educação, ensino interativo, mídias digitais e publicação de autores e editoras. O verbo folhear detém um significado que está enraizado na cultura mundial, e levará anos para perder seu valor. Como toda tecnologia, devemos saber utiliza-la de forma coerente, mantendo alguns conceitos vivos.


por Felipe Florentino


BIBLIOGRAFIAS

Conexao 3g e 4g





Criada em 2003, a conexão da terceira geração, conhecida como 3G, e ainda a mais utilizada pelos usuários da internet. Porem, em 2010 foi criada a conexão 4G, que veio com inúmeras transformações e melhorias, e pretende revolucionar a tecnologia.
A conexao 3g substituiu a 2g, que iniciou a era digital, com o inicio dos SMS. A conexao de terceira geracao modificou o modo como os usuarios utilizam os dispositivos moveis, trazendo maior mobilidade e facilidade de comunicacao. Foi introduzida na Europa em 2003, e no Brasil em 2004 pela operadora Vivo, a pioneira no pais, que contou com uma cobertura limitada a poucas cidades.
Ja a conexao 4g, e o aperfeicoamento das antigas conexoes, que permite uma velocidade cerca de quatro vezes maior do que a anterior, e atua atualmente em onze cidades brasileiras. Criada no Japao em 2010, permite um melhor acesso a conteudos multimidia, como fotos e videos em alta definicao.
Mesmo ja ativa em alguns paises, a conexao 4g nao anulara a 3g, pois por usarem frequencias diferentes, poderao ser utilizadas simultaneamente. A conexao 3g durara ainda por um longo periodo, ja que muitos aparelhos nao sao compativeis com o novo padrao, que funcionara tambem nas redes 2 e 3g.




Renata Fraga


BIBLIOGRAFIA
<http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2013/05/conexao-4g-acabara-com-3g-entenda-futuro-da-internet-no-celular.html>
<http://www.conexaominicom.mc.gov.br/materias-especiais/1344-veja-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-tecnologia-4g>
<http://www.clubedascuriosidades.com/diferencas-internet-3g-e-4g>

Aplicativos para dispositivos moveis


    

Desenvolvidos para smartphones, os aplicativos sao uma febre pelos usuarios. Criados com o intuito de facilitar a vida e trazer entretenimento em qualquer lugar, ha diversos tipos e funcoes disponiveis para serem baixados.
Os apps, como sao popularmente conhecidos, sao softwares que podem ser instalados ou baixados pelos usuarios para seus aparelhos moveis. Popularizaram-se em 2008, e sao, em sua grande maioria gratuitos, obtendo tambem versoes pagas, dependendo da necessidade e do gosto de quem utiliza.
Há inumeros tipos de aplicativos, em sua grande parte, criados para facilitar o dia-a-dia, otimizando processos basicos diarios. Alguns dos aplicativos mais conhecidos e utilizados sao os de redes sociais, como o instagram, dispositivo de publicacao de fotos, o whatsapp, de mensagens instantaneas e o facebook, que engloba diversas funcoes.
Criados tambem com o intuito de trazer entretenimento aos usuarios, possui diversso recursos como jogos, livros online, e serve tambem para ajudar em situacoes do cotidiano, como agendas, aplicativos de bancos e gps. Sao ferramentas muito uteis, que facilitam e trazem praticidade aos usuarios.




Renata Fraga



BIBLIOGRAFIA
<http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Aplicativo_m%C3%B3vel>
<http://www.segredosgeek.com/2014/02/os-15-melhores-aplicativos-para-o-seu-novo-smartphone-android.html>
<http://www.tecmundo.com.br/m/52957.htm>

Decifra-me ou te devoro! Sobre o direito de ser "esquecido" na internet

No dia 13 de maio, O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) foi favorável que usuários de ferramentas de busca, em especial o Google, possam solicitar que dados pessoais obtidos e armazenados nesses sites sejam apagados.

Por que garantir esse direito? De um tempo pra cá, softwares são desenvolvidos com o sistema de "advinhador" para ferramentas de busca, para supostamente obterem uma maior eficiência e filtro no momento da busca. O problema, que para isso, o site armazena informações pessoais do usuário, sem sua autorização prévia.

Desde 1995, a União Europeia criou uma Diretriz sobre a Proteção de Dados, que já apontava que a extração, o registro e a organização de dados relativos a uma pessoa publicada na internet afeta potencialmente vários aspectos da vida privada. Segundo o TJUE qualquer pessoa "tem o direito de ser esquecida" na internet sob certas condições, em particular quando os dados são considerados "inadequados, não pertinentes ou não mais pertinentes do ponto de vista dos fins para os quais foram tratados e do tempo transcorrido". Os links para sites que contêm esta informação devem ser apagados da lista de resultados, a menos que existam razões particulares - como o papel desempenhado por essa pessoa na vida pública - que justifiquem que prevaleça o interesse do público a ter acesso a esta informação ao efetuar a busca", diz o tribunal.

O caso teve origem em uma ação apresentada por um cidadão espanhol que exigia a retirada dos resultados e dos links do Google nos quais seu nome aparecia associado a um leilão de imóveis vinculado a um embargo em 1998.  O processo começou quando o espanhol apresentou uma denúncia em em 2010 à Agência Espanhola de Proteção de Dados (AEPD) contra o jornal La Vanguardia e o Google.


Referências:

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=525399

http://pt.euronews.com/2014/05/13/internet-europeus-com-direito-a-ser-esquecidos/

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Comunicação Móvel: A Digitalização dos Relacionamentos e o Distanciamento do Real

       Sinta o celular que está no seu bolso. Ignore a vibração que avisa uma nova mensagem; pare de escutar o toque dos aplicativos que destoam sua atenção diariamente. Pare e pense: quais os momentos do seu dia você desejaria realmente estar com outro alguém ou estar presente em outro lugar? Estamos vivendo o agora ligados a 220V, e o nosso agora tem um companheiro constante chamado smartphone. 

       Pesquisas indicam que no Brasil, o uso do celular com acesso à internet aumentou 340% no último ano. Ao alcance do toque do dedo indicador, o poder de comunicar-se é livre, instantâneo e manipulador. Temos nas mãos um afastamento dos momentos que vivemos, e hoje é considerado honra termos um momento ''a sós'' e denotarmos um tempo àqueles que nos rodeiam. A informação é constante e as pessoas que não estão conosco mantém-se em contato. Cabe a nós dividirmos-nos entre estar aqui ou estar lá.

       Por este vício desenfreado, temos cada vez mais a necessidade de atualizarmos nossa vida digital, às vezes separando-a, até mesmo, do real; e temos essa possibilidade a qualquer momento e local. Redes sociais como Facebook e Instagram determinam nossa imagem pessoal. Tornando-se não somente um auxílio a nossa vida social, mas o motivo de nossas ações, nossa relação interpessoal restrita-se a nutrirmos o que desejaríamos ser, e cada vez menos o que somos. Sentimos-nos forçados a estarmos constantemente vistos pelos olhos daqueles que desejamos que nos observem. Como um grito de atenção, queremos aceitação sem pensar de quem.

     Tamanha é a abrangência das redes sociais, que acostumamos-nos a informar diariamente o que fazemos, com quem estamos, os locais que frequentamos. E tal costume não se exclui aos relacionamentos íntimos. Divulgar o relacionamento, fotos e intimidades se tornou um ponto alto, e muitas vezes é pela rede social que as relações começam ou terminam.

      Temos em nossas mãos as possibilidades da informação, e aquela que poderia vir a enriquecer nossos ciclos de amizade e nossas rodas de bar, inibem nossa habilidade de interagir com aqueles os quais escolhemos estar, para estar com aqueles que não estão fisicamente presentes. A sensação de ''estar com quem não quer estar com você'' esfria as relações, e a imagem pessoal se torna algo maior que a ação de sermos quem somos. 
        Somos levados a uma publicidade focada no desprendimento destes conceitos mal-estabelecidos de amizade, tentando semear uma relação interpessoal rica e sentimental. Os locais que frequentamos medem o caminho para um momento de interação, e a inquietude daqueles contra este ''movimento moderno'' exige mudanças e bases mais sólidas sobre ''ser'', ''estar'' e ''sentir''.
         Não negando o lado positivo da modernização da comunicação, mas indiciando uma mudança no nosso comportamento perante essa acelerada novidade que diariamente invade mais as rotinas mundiais, pergunte-se os limites que permeiam os nossos relacionamentos, e determine aquilo que realmente vale a pena regar nos nossos conceitos de Humano.


Referências:
<http://www.gazetadopovo.com.br/tecnologia/conteudo.phtml?id=1260810> Acesso em: 12.05.2014
<http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2013/01/qualidade-das-relacoes-interpessoais-foi-mudada-pelo-universo-virtual-diz-psicanalista.html> Acesso em: 12.05.2014
<http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/tecnologia/noticia/2013/08/28/relacoes-sociais-mudam-com-smartphone-95157.php> Acesso em: 12.05.2014

por Felipe Florentino

Redes Sociais: Instagram – O embelezamento artificial do cotidiano

Criada em 2010 pelo brasileiro Mike Krieper em parceria com o americano Kevin Systrom, a rede social Instagram foi fundada com a premissa de ser um aplicativo para compartilhar experiências através de fotografias - e agora também de vídeos - e é, desde seu início, uma das redes mais utilizadas ao redor do mundo. Além de ser um dos maiores e mais procurados aplicativos, foi também curiosamente reconhecido por ser a rede social que mais causa depressão entre os usuários, devido a uma pesquisa realizada na Universidade de Berlim, na Alemanha.

Originada nos Estados Unidos e produzida inicialmente só para Iphone, o aplicativo popularizou-se em 2012 ao ser desenvolvido também para Android, tendo sido baixada mais de um milhão de vezes somente no primeiro dia em que foi disponibilizada para este tipo de sistema operacional. Atualmente o número de usuários ultrapassa os 200 milhões, contabilizando mais de 60 milhões de novas imagens publicadas todos os dias, segundo o próprio blog do app.

De acordo com a pesquisadora Hanna Krasnova, da Universidade de Berlim, o aplicativo é considerado o maior causador de depressão entre os que utilizam redes sociais, como facebook e twitter, por conter imagens, que impactam mais do que textos ou frases. A pesquisa explica que ocorre um embelezamento do cotidiano dos usuários do instagram, o que fere a auto-estima de muitos seguidores da rede, pois dá a impressão de que a vida dos outros é sempre melhor, mais divertida e mais interessante do que a própria.

O que deve-se ter em mente, é que nem sempre uma foto, com o melhor efeito, do melhor ângulo, e que muitas vezes precisou de várias tentativas para se tornar publicável, é o que consiste no cotidiano de cada pessoa como um todo. Certamente ninguém vai sentir-se confortável em se expor aos outros situações tristes ou constrangedoras, e sim, compartilhar momentos de alegria, em lugares e condições as quais sintam-se bem. Deve-se lembrar que nem a menina da capa da revista se parece com a menina da capa da revista, celebridades também ficam tristes e acordam de cara lavada e no fim, todos são iguais, com problemas, alegrias e preocupações.


Renata Fraga


Referências:
http://g1.globo.com/tecnologia/tem-um-aplicativo/noticia/2014/03/instagram-atinge-marca-de-200-milhoes-de-usuarios-ativos-por-mes.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Instagram

http://canaltech.com.br/tag/Instagram/

Entropia - Breve histórico sobre a era do excesso de informação

De todas as manchetes que você “vê” por dia, quantas você “lê” na íntegra? E dessas informações lidas, quantas você de fato assimilou e é capaz de reproduzir com precisão, sem o auxílio da fonte?

Com a internet muitos de nós conseguimos acessar notícias que antes, talvez, nem chegavam à nossa ciência. E mais ainda, nos é permitido redigir-las, divulgar-las e “compartilhar-las”. Com isso o fluxo e produção de informação cresceu muito. Em ritmo frenético, numa velocidade máxima.

Sejam relevantes ou não, o fato é que damos várias “olhadinhas” nos acontecimentos destacados pela mídia digital. E quando vê, aquilo que deveria ser importante de ser lembrado acaba sendo substituído por algo não tão importante assim.

O famoso cientista que apontou o relativismo, Albert Einstein, fundamentou toda possibilidade de realidade e existência no princípio da incerteza, ou seja, a Entropia. Na matemática, se diz Entropia, quando a probabilidade da incerteza, acaba sendo maior do que a possibilidade de certeza e exatidão. Entropia seria a medida da energia que “se perde” da totalidade, e no caso da informação, seria a “mensagem” que se perde no momento em que se passa do veículo de comunicação, sofrendo ruídos até chegar ao receptor da informação.

Tudo isso para dizer, que uma notícia acaba tendo maior relevância quanto maior for o seu grau de aleatoriedade ou imprevisibilidade, já que a imprecisão, e a incerteza, agregam mais interesse em saber aquilo que se está por saber. Complexo, não é? Mas é simples de observar.

Formulando um exemplo: se cada vez que você atualizasse seu status no facebook, você desse informações completas, de como você está se sentindo, onde você tem frequentado, e com quem você tem andado, ultrapassando mais de 5.000 carácteres para se expressar, é bem provável, de que primeiro, poucas pessoas se interessariam de ler sua mensagem completamente, e se caso lesse, pouco guardariam das informações prestadas. Agora, se você se expressasse em 140 carácteres, deixando muitas informações de fora, muitas pessoas se interessariam em saber mais sobre você.

São tempos de abundância da informação, como já mencionei no começo do texto, mas serão tempos de grandes memórias? Deixo a provocação, querendo saber se você se lembra, do que leu antes desse artigo.


Referências:

http://w3.ualg.pt/~sjesus/aulas/fdt/node33.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Entropia_da_informa%C3%A7%C3%A3o
www.ib.usp.br/~rpavao/Teoria_da_Informacao.pdf
http://ivancarlo.blogspot.com.br/2011/08/entropia-e-tendencia-ao-caos.html




Marco Civil da Internet - O que muda no fazer jornalístico após a aprovação do Marco Civil da Internet?

A Lei nº 12.965, sancionada recentemente, no dia 23 de abril, regula o uso da Internet no Brasil, por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem usa a rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado. Essa lei ficou conhecida como o Marco Civil da Internet, e tramita desde 2009, quando surge como projeto de assegurar a liberdade de expressão, e a privacidade de usuários na Internet.

Mas você deve estar se perguntando, o que colocaria em risco os príncipios democráticos na rede? É preciso voltar um pouco no tempo, quando o projeto de lei – PL 84/99, chamado de Lei Azeredo (vulga AI-5 Digital), propunha 23 artigos que modificam o Código Penal, para que possam abranger os infodelitos, entre eles, clonagem de cartões e celulares, difusão de vírus, roubo de senha e pornografia infantil. No momento em que esse PL passa por discussão e votação, começam a ser questionados o porquê de tamanho “vigilantismo” na internet com o intuito de combater crime em ambientes virtuais. 

Defensores da liberdade na rede enxergavam ainda exageros e imprecisões na redação do projeto de lei, e um dos aspectos mais criticados é o período de três anos para a guarda dos logs – dados de endereçamento eletrônico da origem, hora e data da conexão – por parte dos provedores. Ações consideradas suspeitas, como o simples compartilhamento de arquivos, teriam de ser informadas a órgãos investigativos, comprometendo ferramentas empregadas para a difusão da cultura digital.

Esse tipo de imposição representaria riscos à liberdade nesses ambientes. Em contrapartida, desde o momento da sua discussão na Câmara de Deputado, políticos, jornalistas e sociedade civil, manifestam-se na rede através de petições on-line, publicações nas redes sociais, culminando na criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil o qual ficou responsável de unir colaborações e opiniões da sociedade para a elaboração do texto do projeto de lei do Marco Civil da Internet.

O PL Azeredo, foi derrubado em 2011, quando houve uma “reformulação” da mesma, baixo o argumento de priorizar direitos civis, e não penais, à internet. A lei 12.737/2011 , ficou famosa como Lei Carolina Dieckmann, pois sua aprovação foi “apressada” logo após imagens “não-permitidas” da atriz serem roubadas e divulgas na interntet. A derrubada do projeto da lei Azeredo, foi um passo importante, para ganhar fôlego na articulação da aprovação do Marco Civil da Internet.

O Marco Civil da Internet, entre tantas coisas propunha, a não responsabilização do intermediário – sites, blogues, portais e redes sociais – que viabilizar a publicação do material dentro de seu espaço; a garantia da privacidade de mensagens, e outras informações pessoais; a regulamentação do comércio de conexão e provedores de internet, visando não limitar acessos, tendo seus contratos redigidos de forma clara e com serviços de atendimento à dúvidas, etc.

Foram anos de pressão, discussão e divulgação da proposta, que só obteve relevância parlamentar após o caso de “espionagem” à Presidenta Dilma, por parte dos EUA. É preciso admitir que esse foi um dos maiores motivos para que a A Lei nº 12.965 subisse na pilha de projetos a serem votados. O Marco Civil da Internet substitui a Lei Azeredo (vulga Carolina Dieckmann), e preserva o princípio democrático tanto defendido pelo Jornalismo – a liberdade de expressão. Ou seja, que na prática, jornalistas podem ficar um pouco mais tranquilos no exercício da profissão, já que a lei é importante para regulamentar os conteúdos – inclusive informativos – que circulam na rede.


Referências: